Olhou fundo em seus olhos.
Uma sensação de tristeza, uma leveza melancólica.
Cada detalhe começou a gritar.
Manchas de verões e furacões, de sol e de chuva.
Rugas de causos e causas diversas.
Prós e contras do advento adverso da vida.
Vida que fere e é ferida.
E graças à Deus, não cicatriza.
Nunca houve o amor.
Nunca haverá a saudade.
Tostões ricos em histórias.
Aventuras de hoje, perrengues de outrora.
Patrimonio simbólico da aristocracia factual da memória.
Da cabeça que distorce e, romântica, se embriaga.
E vê o que não houve.
Pra bem ou pro mal.
Viveu-se.
Em cada marca do tempo.
A barriga existe, cheia de si e de tanta coisa.
Não se é tão jovem.
Falta menos do que faltava. Tende a piorar.
Mas não é.
Nunca será pleno.
Completo.
E, por aí, poderia ter sido sempre mais.
Conflito sem fim com o final.
Percebeu que este momento não passou de um segundo.
Horas, dias em sua cabeça.
Anos em sua carne.
Breves instantes de reflexão.
O possível e o impossível se distanciam apenas pelos fatos.
Azar dos fatos.
Ele quer o novo.
Mesmo velho.
Mesmo de novo.
E o espelho e tudo o que ele viu em um segundo foi consigo.

