segunda-feira, 20 de agosto de 2012
(Um pouco de) Tempo
A gente usa o Tempo, pra ganhar tempo, pra comprar coisas, pra perder tempo
com entretenimento, um advento, pra fazer o tempo, a seu contento,
virar contentamento, um passatempo, um ganha tempo, pra parecer
que não perdemos tempo, pensando a vida, passando a vida, vivendo o tempo,
pra viver correndo, do seu passado, do seu presente, do seu futuro, a todo tempo
passado o tempo, a esperar, a procurar, a aspirar, um pouco mais de tempo.
Que nos define, na finitude, da amplitude, do que existe
Do que é real, é o que vemos, o que sentimos, o que seguimos
Como natural, é ter começo, é ter um fim, é ter enfim,
Um final pro tempo
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Difícil entender
Respondi, meio que sem pensar:
"Parado.
Na esquina do nada com coisa nenhuma.
Com minha cabeça maquinando Marketing e derretendo Fluminense.
Tô retomando agora, pela minha sanidade.
Comprei minha guitarra dos sonhos, e acho que ela reabriu meu cérebro.
Hoje.
Agora."
Ela mandou eu postar este desabafo, e tá aqui. Postei.
Blog reativado. Isso tudo, insone, com minha guitarra na mão, enquanto escrevia depois de muito tempo algumas estrofes.
E estas, fluíam...que saudade desta sensação!
Depois de tanta sombra, uma música e uma postagem. Pra quebrar o gelo.
Espero que o canal fique aberto.
Aproveito o ensejo, e batizo de vez a minha guitarra, quase certeza que agora é certo, tanto o nome como ela. Sonho em mãos.
Êi-la, Edwin Gallagher I.
Minha Epiphone. Minha épica ponte para a inspiração, novamente.
Voltemos à música agora.
Até.
quinta-feira, 1 de março de 2012
Rio
Minha alma canta...
Tem dias, que ela pranta,
Mas a gente se levanta.
Minha cidade, minhas praias, minhas gatas, meus malandros.
Minhas mazelas, meus bandidos, minhas milícias e políticos.
Sou eterno turista, síndico e residente do purgatório da beleza e do caos.
Vivo na zona...
Portuária, Norte Sul Oeste Cardeal.
Engarrafado do Leme ao Pontal.
Verão, ah o verão!
Vocês ainda hão de me ver brilhar no exterior.
Jogo bola e sou Olimpo, sim senhor.
Sou Carioca e Fluminense, mas há Fla, Vasco, Fogo e o Mequinha.
A bola é minha, sempre foi.
Todo o país reconhece. Menos lá, você sabe...
Mas eles vem pra cá, e se apaixonam.
Todos os sotaques, moedas, manias, etnias.
Cada canto tem um encanto pra você.
A cidade maravilhosa te convida...e aprisiona.
Não há como se livrar, não há como esquecer.
Guanabara, tudo por você!
E se mistura tudo, se reinventa.
O da gema e o cigano se alimentam dos Orixás.
E pegam onda, tiram onda, seguem a onda da estação.
Seja primavera ou verão.
"Ah, vocês verão!
Ainda deixo de ser cartão postal e viro cidade-modelo...
Ou já sou?"
De certo, és o tempero de todo um país.
Recanto encantado entre a serra e o mar.
Se Deus é Brasileiro, o Papa é Carioca.
E o capeta só não veio porque tá caro moral na Zona Sul.
Mas frequenta a Lapa, o BG, toma chopp no Leblon.
Vem, usa, e vai embora.
Mas, deixa estar.
Parabéns, São Sebastião do bendito Rio, do bendito mês.
Cada vez melhor, mesmo respirando o caos nosso de cada dia.
Prazer e agonia.
Ah, mas vocês verão...
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Abram Alas!
Festa da carne, na perdição, predileção de 9 em cada 10 brasileiros...
A mais brasileira das tradições.
Para mim, sempre uma data de reflexão.
Muitas vezes, forçada, noutras, por escolha. Mas meus Carnavais sempre são um tanto diferentes.
Eu sei, já entendi o recado, e não insisto. A festa não é pra mim.
Já reclamei, não reclamo mais.
Achei minha paz no meio dos foliões.
Não desgosto nem desmereço quem goste.
Só não compartilho.
Tirei o deste ano para relaxar, me encontrar no encontro com o recanto verde e calmo.
Desacelerar no período onde todo o resto parece querer explodir.
A ebulição efervescente das peles douradas, aceleradas pela libido festiva, celebrando a vida e sua justa e maior recompensa.
Pra mim, o prêmio é outro.
No silêncio de boas companhias, me encontro acompanhado por um sentimento de busca e perda, diferente dos confetes e serpentinas e beijos e danças.
Busco me perder novamente em mim mesmo, e assim me reencontrar.
É, amigos, dentre tantas diferenças entre o meu e o seu Carnaval, há de se achar semelhanças.
Meu ano também só vai começar depois da quarta-feira de cinzas.
O reencontro com o doce sabor do recomeço.
Abram alas!
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Palavras
Palavras.
Talvez, minhas melhores amigas. No mínimo, as mais antigas.
Sempre nos tratamos muito bem.
Quando preciso, elas aparecem. E tento expô-las com carinho, com trato.
Mas ando em falta com elas.
Não por desonestidade, mudez ou falta de exercício.
Afinal, no trabalho, elas são corriqueiras. Veículo importante das ações.
Mundanas e necessárias.
Estou em falta é com o escrever, o criar, o reordenar palavras.
Em falta, e sentindo muita falta.
Talvez, a ferramenta com a qual mais me identifico.
A maneira como me defino.
Palavras. Falado, dito, pensado.
Saudade da liberdade de brincar com elas.
Mesmo quando o fazia por ofício, era, de certa forma, lúdico.
Mas deixei esta faceta profissional de lado, ao menos por enquanto.
A hora é de realizar, progredir, aprender.
Evoluir.
Se tem uma palavra que resume este pouco mais de ano sem escrever, é MISSÃO.
Vivo na plenitude das minhas forças o que considero uma missão de vida.
Sem esquecer a sensação e a certeza de que, se houve, há e haverá alguma missão, de fato, para a minha vida, esta sempre envolverá uma coisa:
PALAVRA.
Em todos os sentidos.
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Saudade de escrever por escrever...
Saudações,
AMV
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Loucura
Despido de seu animal, trajando um comportamento sociável de alta costura.
Atitudes engomadas e palavras de manga comprida.
Consciência passada a ferro, com todo o esmero.
Cabeça no travesseiro e dinheiro na conta, tudo normal.
Mas...
uma voz rompe o sossego.
Aquele sino não para de tocar.
Um grunido.
O sono embebido de suor te acorda, e se vai.
A cama machuca as costas.
Trêmulas pernas te levantam, mas não te sustentam.
Cambaleante, o banheiro se aproxima.
Antes do choque, um baque.
Pausa.
Você olhou no espelho e viu a loucura nos olhos.
E caiu.
Olhei nos olhos da loucura e me vi.
Rindo do sangue que varre as ruas,
jorrando das urnas,
torcendo para o tiro acertar a cabeça do bandido.
Qual bandido?
De um lado, a arma da fome.
Do outro, a fome como arma.
No meio, eu e você.
E uma bala.
Quem está perdido?
A justiça clama pela cidade.
O Rio se tranca em casa com medo do povo.
As ruas faltam o trabalho e a escola, esvaziando as pessoas.
A segurança pública defende a tese de que o prefeito é prioridade.
Está decidido?
O banho de balas à cada cartucho de lama se esvai com o bueiro pelo sangue das manchetes do ostracismo de amanhã.
Com as mãos sujas, olhei nos olhos da loucura e vi a sanidade.
Perplexa com todo esse caos.
Segurando uma arma.
Um corpo extendido no chão.
Homens correndo mata adentro.
Eu estou dentro ou fora?
E eles?
As lentes recortam a realidade em sanduíches de audiência.
Eu estou com fome.
A sanidade me olhou nos olhos e me saciou com um beijo de boa noite.
Mas eu acordo. Um dia, acordo.
Me levanto e vou para o espelho.
Cadê você?
Olhei, à procura da loucura, e não a encontro.
Mas ela está aqui, a espreita.
Eu posso senti-la correndo pelos meus dedos,
formigando meus pés,
saindo pela minha boca.
Contida nas contingências do cotidiano.
Enclausurada num corpo.
Numa casa. Numa tarefa. Num grupo.
Numa cidade.
Numa idade, sem nenhuma identidade com a realidade.
Esfacelada na parede, com seus miolos espalhados na decoração.
Olhei nos olhos da loucura e vi o amor.
Fantasiando sabores e comendo mobília.
Endividados pela carne, pagando promissórias fatias de indiferença.
Na boca, o gosto amargo do feliz para sempre,
perdido nas papilas gustativas da desilusão.
Um objeto necessário, refém de projeções,
utilitário na busca das respostas que sabemos não existir.
Mas dormimos abraçadinhos e juramos que desta vez é.
Talvez seja, quem sabe?
Apago em meio ao sonho do verdadeiro.
O amor me olhou nos olhos e me ignorou.
Mas te peguei pelo braço.
Preciso do teu sexo.
Minhas baterias estão fracas, e meu hálito, quente.
Tenho sede do teu orgasmo refrescando meu ego,
teu olhar de tesão me adulando,
enquanto finjo que gozo e olho no relógio.
Eu trabalho amanhã, me desculpe.
Tá na hora de ir embora.
Beijos!
Chego em casa e me sinto só.
Durmo no vazio do seu cheiro.
Mãe, suplico pelo teu perdão e teu carinho!
Pai, me dê a mão e me guie pela escuridão!
Tenho medo do clarão da janela!
Acordo e acendo a luz.
Na cabeceira, uma bíblia e uma arma.
Nas mãos, um copo d'água.
Um gole, um versículo, uma bala.
Olhei nos olhos da loucura e vi a salvação.
Um gole, um versículo, uma bala.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Esquina
Não dava mais para olhar para trás.
Na mesma velocidade em que o norte me chamou, veio o leste e mudou o cenário.
Quando parei para pensar, e ver, não estava mais lá. Restou apenas a sombra do último passo antes de sumir por entre os prédios.
Dinâmica, esta realidade.
Dinâmica e dura.
Na incerteza da busca, perdida entre passado e futuro, o presente sofre com a ausência.
Vácuo entre o outrora deslocado e o imponderável por vir.
A angústia antes do sono agora se espalha por entre meus dedos, contaminando tudo o que toco.
Desperto e disperso.
Acordado em desacordo.
Sigo adiante. Uma avenida se avizinha em minha vista.
Mais uma dura esquina a se cruzar.
Encruzilhada entre dois caminhos levemente opostos e igualmente satisfatórios.
A dor da perda é certa. Talvez a da vitória, também.
O conforto desolador de olhar para trás e se arrepender tá logo alí.
A ilusão do controle e de alguma previsibilidade, também.
Estarei eu no comando?
Sem certeza na escolha, certo mesmo é ter de escolher.
Adiante, além da esquina, nos dois lados deste cruzamento, há de tudo o que não posso enxergar com os olhos.
Deixo o coração como guia e atravesso o pavimento.
A cada passo, o presente se dilui na quilometragem e o passado vira a presença pesada e pesarosa do que não houve ou não haverá mais.
Sempre vai ser assim.
Sempre.
Parece fácil, parece difícil, mas é apenas uma constatação lógica:
as inevitáveis escolhas nos levam e deixam o rastro da destruição.
Darwinismo ou destino?
Depende de onde se posiciona o espectador.
Na lente do fotógrafo, um frame transitório, perdido no espaço-tempo.
Nas letras, o devaneio ansioso e redundante de quem não quer escolher, mas sabe que, parado, não vai dar para ficar.
E vai atravessar para um dos lados.
E lá na frente, o que este novo caminho me reserva?
Nada além de duas ruas com uma esquina no meio...

